Conversa com
Amadeu Santos e Fabíola Lopes Moderada por António Padrão Escola Secundária de Alberto Sampaio Braga 19 de abril de 2024domingo, 28 de abril de 2024
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
Hume e a origem das ideias
As impressões constituem as experiências obtidas quando o indivíduo observa, sente, ama, odeia, deseja ou tem vontade de algo. Hume descreve este tipo de perceções como sendo mais "vívido" do que as ideias, termo com que o filósofo parece querer afirmar que as impressões são mais claras e mais pormenorizadas do que as ideias. As ideias, por sua vez, são cópias das impressões. Trata-se dos objetos do pensamento humano quando os indivíduos recordam a sua experiência ou exercitam a sua imaginação.
Assim sendo, neste preciso momento, por exemplo, tenho uma impressão da minha caneta a movimentar-se pela página e de ouvir alguém a virar as páginas de um livro, atrás de mim, na biblioteca. Tenho, ainda, uma impressão da textura do papel a tocar na minha mão. Estas experiências sensoriais são vívidas, visto que seria difícil convencer-me de que me encontro apenas a recordar experiências passadas ou a sonhar. Mais tarde, enquanto estiver a escrever estas linhas no meu computador, lembrar-me-ei, sem dúvida, deste momento e recordarei as minhas impressões. Nessa altura, estarei a ter ideias e não impressões, ideias que não serão marcadas pela mesma vividez (ou "vivacidade", para usar a terminologia de Hume) que caracteriza as impressões sensoriais que estou a sentir neste momento e das quais as ideias serão cópias.
Hume reformula a asserção de Locke de que não existem ideias inatas, sob a forma todas as ideias humanas são cópias de impressões. Por outras palavras, é impossível aos seres humanos ter uma ideia de algo que não tenha primeiro experimentado enquanto impressão.
Como lidaria, então, Hume com a capacidade de um indivíduo de imaginar uma montanha dourada embora nunca tenha visto uma e, logo, nunca tenha tido a impressão de uma? A resposta do filósofo baseia-se numa distinção entre ideias simples e complexas. As ideias simples derivam de impressões simples. Trata-se de ideias de coisas como a cor e a forma, ideias que não podem ser divididas em partes mais pequenas. As ideias complexas são combinações de ideias simples. Deste modo, aquela ideia de uma montanha dourada nada mais é do que uma ideia complexa composta pelas ideias mais simples de "montanha" e de "dourado". E estas ideias simples derivam, em última análise, da experiência tida pelo indivíduo de montanhas e de objetos dourados.
A comprovação da crença de que todas as ideias humanas derivam de impressões anteriores é constituída pela proposta de que qualquer destas ideias pode, por meio da reflexão, ser decomposta em partes que a enformam, que, como se poderá depois confirmar, resultam das impressões. Mais corroboração para esta explicação resulta da observação de que um homem completamente cego de nascença seria incapaz de imaginar a cor vermelha, uma vez que nunca tinha tido impressões visuais dessa cor. Similarmente, e de forma mais controversa, Hume declara que uma pessoa egoísta não seria capaz de formar uma ideia do sentimento de generosidade.
No entanto, embora Hume defenda que o seu aperfeiçoamento da teoria das ideias de Locke poderá explicar a origem de qualquer ideia em particular, o filósofo assinala a existência de uma exceção a este princípio, constituída pelo tom de azul desconhecido. Alguém que tenha observado um vasto leque de tons de azul, pode nunca ter tido a impressão de certo tom em particular. Não obstante, essa pessoa pode formar uma ideia deste tom de azul desconhecido. Segundo a teoria de Hume, tal seria impossível visto esse indivíduo não possuir qualquer impressão simples à qual pudesse corresponder a ideia dessa cor. Contudo, não se revela excessivamente preocupado com este aparente contraexemplo, uma vez que se trata de uma situação demasiado excecional para o levar a redefinir os seus princípios básicos em função dela.
Warburton, Nigel (2013). Grandes livros de filosofia. 2.ª ed. Lisboa: Edições 70, pp. 131-133.terça-feira, 25 de junho de 2019
O melhor dos mundos possíveis?
sábado, 27 de abril de 2019
A existência de Deus
Será que Deus existe?
Muitas pessoas são educadas de forma religiosa, nunca colocando em causa a sua
fé. Outras são educadas de forma não religiosa, nunca colocando em causa a sua
ausência de fé. Mas, independentemente do modo como fomos educados, haverá boas
razões para pensar que Deus existe ou não? Recorrendo exclusivamente ao pensamento
e aos sentidos, não nos apoiando por isso na tradição e nos livros considerados
sagrados, poderemos provar que Deus existe? Por prova não se entende, neste
contexto, uma prova científica ou matemática; o que está em causa é saber se há
bons argumentos a favor da existência de Deus — argumentos que qualquer pessoa
que os avalie de forma imparcial estará disposta a aceitar, independentemente
do modo como foi educada.terça-feira, 16 de outubro de 2018
ELEMENTOS DE HISTÓRIA DA FILOSOFIA E DA CIÊNCIA
A 14 de março de 2018, morreu Stephen Hawking, o mais conhecido cientista
da atualidade e um dos mais extraordinários cientistas de sempre. A 14 de março
de 1879 (139 anos antes da morte de Stephen Hawking), nasceu, em Ulm, na
Alemanha, Albert Einstein, autor da Teoria da Relatividade e Prémio Nobel da
Física, em 1921. A 8 de janeiro de 1642, 300 anos antes do nascimento de
Stephen Hawking, morreu Galileu Galilei — o pai da ciência moderna.domingo, 20 de maio de 2018
domingo, 10 de dezembro de 2017
Retórica
O grande alcance da razão
Aquilo que a razão tem de especial é ser capaz de
chegar a uma conclusão com um nível de certeza diferente do de qualquer outro instrumento mental. Numa discussão lógica, desde que os pressupostos de partida sejam verdadeiros, então as conclusões argumentadas validamente também devem ser verdadeiras e pode saber-se que são verdadeiras. Se conseguir levar, convincentemente, alguém através de uma discussão lógica, a ideia que colocou na mente dessa pessoa instalar-se-á nela e nunca a deixará.quinta-feira, 26 de outubro de 2017
Conferência de Werner Reich, na ESAS
Vídeo 2
Vídeo 3
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
domingo, 8 de outubro de 2017
sexta-feira, 29 de setembro de 2017
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Estrutura do ensaio filosófico
O texto argumentativo – o que é, como se faz
terça-feira, 29 de novembro de 2016
Falácia ou não?
«O PSD dará oportunidade, durante o dia de hoje, de o governo tomar uma posição clara e inequívoca sobre este assunto. Chega de brincar com a Caixa Geral de Depósitos. Se o governo não desmentir a notícia que foi dada de haver um compromisso escrito [para isentar os gestores da Caixa Geral de Depósitos de apresentarem as declarações de rendimentos], não pode haver duas interpretações. Isso significará que o governo confirma a existência desse compromisso, e se esse compromisso escrito existe, nós exigimos que ele seja divulgado ao parlamento, aos deputados, e por via deles também aos portugueses.»
Luís Montenegro (Presidente do Grupo Parlamentar do PSD). RTP1, Jornal da Tarde, 18/11/2016.
Será este argumento falacioso? Porquê?
domingo, 31 de julho de 2016
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Dia Mundial da Filosofia 2015
sábado, 5 de setembro de 2015
Resultados do Exame Nacional de Filosofia 2015 1.ª Fase
Alunos internos
Alunos internos e externos
Seis dos meus alunos fizeram o exame (4 como internos e dois como autopropostos), tendo obtido uma média de 14,73 valores. A média CIF destes alunos foi de 15,33 valores. A diferença entre a média das classificações de exame e a média CIF foi de -0,6 valores.






