sexta-feira, 29 de setembro de 2017
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
Estrutura do ensaio filosófico
Primeira parte:
introdução
1. Breve apresentação do problema
que será tratado no ensaio. Geralmente, apenas duas ou três linhas. Por
exemplo, «Neste ensaio discute-se o problema de saber em que condições uma vida
humana poderá ter sentido.»
2. Explicitação da teoria
defendida. Geralmente, apenas uma linha. Por exemplo, «A posição defendida
neste ensaio é que uma vida humana ativamente entregue a finalidades com valor é
uma vida com sentido.»
Segunda parte:
desenvolvimento
3. Apresentação mais desenvolvida
e articulada dos aspetos fundamentais do problema que será tratado no ensaio. É
nesta parte que se fazem distinções concetuais e se esclarecem alguns conceitos
centrais importantes, se houver necessidade disso.
4. Apresentação das posições em
confronto.
5. Apresentação pormenorizada da
posição que se defende e dos argumentos a seu favor. Resposta às objeções mais
prováveis aos argumentos apresentados.
6. Apresentação dos argumentos
mais importantes a favor da posição contrária e respetiva refutação. Resposta a
algumas das objeções mais prováveis às refutações apresentadas.
Terceira parte: conclusão
7. Conclusão: breve recapitulação
do problema tratado e da posição defendida.
Almeida,
A., Teixeira, C. & Murcho, D. (2013). 50
Lições de Filosofia 10.º ano – Caderno do Estudante. Lisboa: Didáctica
Editora, pp. 40-41.
O texto argumentativo – o que é, como se faz
A escrita de um texto (redação) implica o conhecimento de várias técnicas, independentemente do género textual a produzir. Há um conjunto de modelos textuais que utilizamos de acordo com as nossas necessidades comunicativas, pelo que a sua tipologia varia de acordo com o objetivo pretendido.
Basicamente escrevemos um texto para expor conhecimento, para defender uma ideia ou formar a opinião do leitor. Deste modo, a progressão textual (organização de ideias) exige uma articulação e estruturação coerentes.
Texto expositivo-argumentativo
1. Definição – tipo de texto que visa convencer/persuadir o leitor/ouvinte sobre a nossa “verdade” face a um assunto. Neste sentido, assenta numa tese cuja veracidade se demonstra e prova através de um conjunto de argumentos, que sustentam o ponto de vista apresentado, devidamente ilustrados com exemplos plausíveis, oriundos das diferentes áreas do saber. Secundariamente pode rebater contra-argumentos.
A reflexão apresenta um “olhar” muito particular e pessoal de alguém sobre um determinado assunto/problema.
2. Estrutura
- Introdução – parágrafo inicial, no qual se apresenta a proposição (tese, opinião…). Deve ser apresentada de forma assertiva, clara e bem definida, sem referir quaisquer provas ou razões. Pode recorrer-se a uma frase de efeito (A verdadeira função do homem é viver, não existir - Jack London); excerto de autor (Ser descontente é ser homem); referência biográfica /e ou histórica (História como termo também pode verificar toda a informação do passado); provérbio (Quem porfia sempre alcança); definição de conceitos (O Homem é um ser social);
- Desenvolvimento – contém:
a) análise/explicitação da tese;
b) apresentação dos argumentos que provam a verdade da tese (factos, exemplos, citações, dados estatísticos, entre outros);
- Conclusão - parágrafo final, no qual se apresenta uma síntese da demonstração feita no desenvolvimento; retoma a afirmação inicial.
Nota: Para uma correta argumentação, é necessária a escolha e ordenação dos argumentos que suportam a demonstração da tese; devem ser pertinentes e coerentes, apresentados de forma lógica e devidamente articulada.
Matos, A. & Braga, C. (2017). Preparar o exame nacional de Português – 12.º ano. Braga: Escola Secundária de Alberto Sampaio, p. 104.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
PREPARAR O EXAME NACIONAL DE PORTUGUÊS - 12.º ANO
Preparar o exame nacional de Português
– 12.º ano
de
António Alberto Matos e Corina Pinheiro Braga
Braga: Escola Secundária de Alberto Sampaio, 2017
Um grupo de docentes do Departamento de Línguas
Clássicas e Românicas da Escola Secundária de Alberto Sampaio [ESAS] publicou
um livro prático, auxiliar e sintético destinado a todos aqueles que sentem
mais dificuldades na interpretação, na expressão escrita ou na gramática, no
momento em que se preparam para enfrentar uma prova final de Português.
Na
perspetiva dos seus autores, apresenta alguns traços inovadores.
Assim,
procede a um levantamento das questões
mais frequentes de resposta restrita, encontradas nos exames nacionais. Orienta, de uma forma prática, na redação
da resposta a questões de interpretação. Identifica, além disso, alguns dos
principais erros cometidos pelos
examinandos.
No
referente à gramática, são elencadas
as questões abordadas nos exames
nacionais de Português – 12.º ano, desde 2007 a 2016, organizando-as por
categorias gramaticais, facilitando
o seu estudo e apreensão. Aconselha, assim, os discentes no estudo da
gramática, alertando-os para as questões
mais frequentes, porque consideradas essenciais no domínio da língua, e
aquelas em que revelam maior dificuldade.
À
semelhança de outros manuais do mesmo género, expõe algumas sínteses de autores e de todas as obras literárias que constam dos
programas em vigor.
Por
fim, fornece aos alunos orientações muito práticas para a redação do texto expositivo-argumentativo.
Os
autores desejam que os seus destinatários se apropriem dos modelos propostos,
neste livro, e revelem a capacidade de os superar com o seu espírito criativo.
Esta
publicação pode ser adquirida na reprografia da ESAS por qualquer aluno (esteja
ou não matriculado no nosso Agrupamento), a um preço simbólico de 2,50 €.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
Ética e moral
Em termos etimológicos, a
distinção entre ética e moral é negligenciável, na medida em que remete para
raízes diferentes mas com significados aproximados. A Ética remete para o grego
ethos, que tem o sentido de «carácter», mas também «modo de ser» ou
«costume». A moral deriva do latim mos, mores no plural, que traduz
sobretudo a ideia de «costume», mas pode também acabar por ter as mesmas
acepções que ethos. No uso que estas palavras adquiriram nas línguas
modernas e também na maior parte dos pensadores a moral acaba por ser
geralmente do domínio do senso comum, i.e., a moral (costumes, modos de ser,
carácter) geralmente aceite, enquanto a Ética — aqui com maiúscula —
corresponde à reflexão filosófica sobre a moral nesse sentido. Por isso o mais
usual é fazer equivaler Ética a Filosofia Moral. A Ética ou Filosofia Moral
reflecte sobre o domínio da moral do senso comum.
[…]
O domínio da moral comum é
uma instituição informal e empiricamente descritível. As sociedades, pelo menos
as sociedades humanas, observam conjuntos de regras sobre o que é bom ou mau
fazer e sobre o tipo de carácter que é bom ou mau ter. Numa primeira acepção
podemos entender o conteúdo dessa «bondade» ou «maldade» como indicando apenas
o que é socialmente condenável e o que é alvo de reconhecimento social
positivo. No entanto, esse é apenas o ponto de partida da Ética ou Filosofia
Moral. Ela parte da instituição da moral do senso comum já existente. Mas procura
ir para além da simples aceitação acrítica dessa moralidade e, pelo contrário,
encetar um processo de reflexão que confronta a moral do senso comum com as
suas contradições e insuficiências.
Não raras vezes, a moral
comum faz juízos inconsistentes ou contraditórios, usa conceitos ambíguos e
baseia-se em princípios insuficientemente argumentados. A Ética deve assinalar
estes problemas, assim como fornecer alternativas intelectualmente mais
robustas.
Rosas, J. C. (2016).
Conceitos que pensam a ação. In Maria
do Céu Patrão Neves (Coord.). Ética: dos
fundamentos às práticas. Lisboa: Edições 70, pp. 83-85.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2016
Valores, juízos de valor e teorias
Valores, juízos de valor e teorias
António PadrãoHoje não há valores?
Paulo Gonçalves, um dos portugueses que participou no rali Dakar 2016, esteve em grande destaque na sétima etapa, depois de ter parado mais de dez minutos para ajudar Matthias Walkner — um piloto rival — que sofrera um acidente e partiu o fémur. Esta ação poderia ter custado a Paulo Gonçalves a liderança da classificação geral, mas ele não hesitou em parar para ajudar. Mais tarde, escreveria no Facebook:
Fiz aquilo que me competia. […] Não sou um herói, sou um ser humano com respeito pelos outros. A nossa vida vale mais que qualquer vitória, sem ela não vencemos.
O Público, onde li a notícia, refere que Paulo Gonçalves “protagonizou a boa ação do dia na sétima etapa do rali” (Pimentel, 2016).
As nossas ações podem ter várias características. Quando encaradas sob o aspeto pelo qual podem chamar-se boas ou más, têm um valor moral. Ao lermos as declarações de Paulo Gonçalves e a notícia do Público, formamos a crença de que é uma pessoa de valores, ou com valores, querendo com isto dizer que segue bons valores: foi solidário, bondoso e respeitoso com o seu rival. Mas também pode haver quem pense que ele agiu mal, que o importante era o êxito, e, por isso, não devia ter parado para ajudar, aproveitando para reforçar a sua posição de liderança. Perante a posição destes últimos, algumas pessoas dirão que eles “não têm valores”, ou, generalizando, poderão dizer que “hoje não há valores” ou que “vivemos uma crise de valores”. Quem afirma tal coisa é provavelmente quem não aprova que os outros se guiem por valores diferentes dos seus. É claro que hoje há valores como havia há cinquenta, cem ou mil anos. E continuará a haver valores enquanto existirem seres humanos ou outros capazes de valorizar coisas:
Quem declara que não há valores, quer na verdade dizer que a maior parte das pessoas valorizam o que ele não valoriza e não valorizam o que ele valoriza (Murcho, 2011, p. 46).
Subjetivismo, relativismo e objetivismo
Será que podemos dizer que é verdadeiro que Paulo Gonçalves fez uma boa ação?
Ver o artigo completo aqui:
Artigo originalmente publicado na revista defacto, n.º 24.
Padrão, A. (2016). Valores, juízos de valor e teorias filosóficas. In defacto, n.º 24. Braga: ESAS, pp. 6-8.terça-feira, 29 de novembro de 2016
Falácia ou não?
Em declarações que foram reproduzidas no Jornal da Tarde da RTP1, no dia 18 de novembro de 2016, Luís Montenegro utilizou o seguinte argumento:
Será este argumento falacioso? Porquê?
«O PSD dará oportunidade, durante o dia de hoje, de o governo tomar uma posição clara e inequívoca sobre este assunto. Chega de brincar com a Caixa Geral de Depósitos. Se o governo não desmentir a notícia que foi dada de haver um compromisso escrito [para isentar os gestores da Caixa Geral de Depósitos de apresentarem as declarações de rendimentos], não pode haver duas interpretações. Isso significará que o governo confirma a existência desse compromisso, e se esse compromisso escrito existe, nós exigimos que ele seja divulgado ao parlamento, aos deputados, e por via deles também aos portugueses.»
Luís Montenegro (Presidente do Grupo Parlamentar do PSD). RTP1, Jornal da Tarde, 18/11/2016.
Será este argumento falacioso? Porquê?
quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Filosofia para crianças
Na sessão de Filosofia para Crianças, que decorreu hoje na EB1 de Lomar, para comemorar o Dia Mundial da Filosofia, tratou-se da AMIZADE.
quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Dia Mundial da Filosofia 2016
Comemora-se amanhã, 17 de novembro, o Dia Mundial da Filosofia. O Grupo de Filosofia do Agrupamento de Escolas Alberto Sampaio desenvolve duas atividades, em parceria com a APEFP - Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
Filosofia trocada por miúdos

Para compreender o
que é a filosofia, vamos primeiro pensar sobre como sabemos nós das coisas. Por
exemplo, como sabemos que está a chover em Paris? A resposta óbvia é que
sabemo-lo porque, se estivermos em Paris, vemos que está a chover. Contudo,
será esta a única maneira de sabê-lo? Não; também podemos sabê-lo porque,
apesar de estarmos em Évora, estamos a falar no Facebook com a nossa irmã que
está em Paris e ela diz-nos que está a chover.
Estas
duas maneiras de saber que está a chover em Paris têm como base a mesma coisa:
alguém (nós ou a nossa irmã) olha e vê que está a chover. Ou seja, este tipo de conhecimento tem
como base os sentidos — neste caso, o sentido da visão. Porém, em alguns casos
temos conhecimento das coisas por meio do sentido da audição (ouvimos uma
música ou alguém a falar), do olfacto (sentimos o cheiro maravilhoso de uma
laranja acabada de espremer) ou então do tacto (sentimos o calor e a textura
especial da areia da praia, num dia de verão).
Será
que todo o conhecimento tem por base os sentidos? A resposta óbvia é que não,
pois não sabemos matemática pelos sentidos: só sabemos matemática raciocinando. Raciocinamos e
sabemos que cinco mais trinta é trinta e cinco, por exemplo.
Além
disso, o conhecimento que os sentidos nos dão é muito limitado: a cada momento
os sentidos dizem-nos apenas o que está a acontecer. Precisamos de raciocinar
para saber coisas mais complexas e menos imediatas: como viviam os dinossauros
há oitenta milhões de anos, por exemplo, ou como se ligam as moléculas de oxigénio
e de hidrogénio para formar a água.
Portanto,
mesmo as coisas que conhecemos pelos sentidos exigem raciocínio da
nossa parte. Quando a nossa irmã nos diz no Facebook que está a chover em
Paris, temos de raciocinar para concluir que está realmente a chover lá. E o
raciocínio é aproximadamente este: ela não teria razão para mentir; além disso,
seria improvável que estivesse enganada; logo, está realmente a chover em Paris.
O
raciocínio é muitíssimo importante, assim como os sentidos. Algumas coisas só
podemos conhecer verdadeiramente pelos sentidos; outras, porém, não
podemos conhecer pelos sentidos. É o caso dos assuntos da matemática. E é o
caso dos assuntos da filosofia.
Em
filosofia estudamos problemas que não podem ser adequadamente estudados recorrendo
aos sentidos; só podem ser adequadamente estudados recorrendo ao raciocínio
intenso, tal como na matemática. A diferença é que na matemática só estudamos
problemas sobre números, figuras geométricas e coisas desse género. Em
filosofia, em contrapartida, estudamos quaisquer problemas que só pelo
raciocínio possam ser abordados adequadamente. Por exemplo, será injusto que
algumas pessoas tenham dinheiro suficiente para comprar um avião particular, ao
passo que outras não conseguem comprar um carro? Se for injusto, por que
razão é injusto? E se não for injusto, por que razão não é
injusto? Estas perguntas fazem-nos perguntar o que é afinal realmente a
justiça: quais são as características gerais que tornam uma sociedade ou
situação justa e outra injusta?
Este
é apenas um exemplo de uma área de problemas da filosofia; mas há muitas
outras áreas. Por exemplo, todos pensamos que há uma realidade
exterior aos nossos pensamentos, realidade essa que é em grande parte
independente de nós. Contudo, o que justifica tal
ideia? Não pode ser apenas o facto de termos várias impressões sensíveis
(audição, tacto, visão), pois quando estamos a sonhar também as temos — mas nesse
caso não pensamos que a praia com que estávamos a sonhar realmente existe, ou
que estávamos realmente nessa praia. Pelo contrário, estávamos era na nossa
cama a sonhar. Quem nos garante então que não estamos a sonhar quando pensamos
que estamos acordados?
É
muito difícil responder às perguntas filosóficas porque não se vê como
poderíamos responder recorrendo aos sentidos. Tudo o que podemos fazer é
raciocinar muito cuidadosamente, tentando responder de um modo que resista
às objecções. É por isso que a filosofia é completamente diferente das
religiões. Neste último caso, não se trata de procurar respostas
raciocinando intensamente; trata-se, antes, de aceitar as respostas de uma
autoridade antiga, ou de um texto sagrado.
A
filosofia atrai pessoas que gostam da aventura de pensar, e que não têm medo de
saber que não sabem. Em filosofia tendemos a pensar que somos mais sábios
quando sabemos que não sabemos do que quando pensamos que sabemos mas não
sabemos.
Muitas pessoas
irritam-se com a filosofia porque querem respostas e já se esqueceram da
excitação que é procurar respostas a perguntas tão difíceis que não há
respostas consensuais entre os especialistas. Esqueceram-se da
excitação que é explorar o desconhecido, sem garantia alguma de descobrir
todos os seus mistérios. Para essas pessoas, a filosofia é incompreensível
porque, em vez de nos dar uma só resposta para cada problema, dá-nos várias:
são as várias tentativas dos filósofos para responder adequadamente aos
problemas da filosofia. Só que outros filósofos discordam, e então gera-se uma
discussão de ideias.
Para quem gosta de
raciocinar, a filosofia é a coisa mais preciosa que temos. Muitíssimo mais
preciosa do que a ciência, muitíssimo mais preciosa do que as artes, muitíssimo
mais preciosa do que as religiões. Porque é na filosofia que ficamos frente a
frente com as perguntas mais difíceis que os seres humanos são capazes de
fazer, e não desistimos de tentar responder da maneira mais rigorosa possível,
sem abandonar a nossa racionalidade comum, sem invocar autoridades — seja
autoridades religiosas, seja autoridades científicas, seja até autoridades
filosóficas!
Murcho, D. (2016). Todos os
sonhos do mundo e outros ensaios. Lisboa: Edições 70, pp.165-168.
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